quarta-feira, 19 de junho de 2013

Agradecimento a Martha Medeiros



Em meados do ano passado chegou às minhas mãos um poema de autoria de Martha Medeiros chamado “A Morte Devagar”, que começa dizendo: “morre lentamente quem não troca de ideias, não troca de discurso, evita as próprias contradições.”; “quem vira escravo do hábito”; “quem não vira a mesa quando está infeliz no trabalho, quem não arrisca o certo pelo incerto atrás de um sonho, quem não se permite, uma vez na vida, fugir dos conselhos sensatos”.

À época, eu trabalhava há treze anos no mesmo escritório de advocacia, minha segunda casa. Apesar da carreira estável, segundo alguns até bem sucedida, e da companhia diária daqueles que, ao longo do tempo, tornaram-se meus mestres e amigos, eu estava profundamente infeliz.

Em vez de autora, era mera espectadora da minha vida. Minha alma estava vazia, eu não conseguia realizar o sonho de ser mãe, não tinha disposição para fazer absolutamente nada e as horas do meu dia custavam demais a passar. Quando não estava trabalhando, de uma forma ou de outra, estava sentindo pena de mim mesma, estava reclamando, estava me fazendo e fazendo aqueles à minha volta miseráveis.

Percebi, então, que, nas palavras de Martha Medeiros, eu morria lentamente, secava por dentro, era escrava dos meus hábitos e dos conselhos sensatos, perdera o brilho dos olhos e sufocara meus sonhos.

E, ao terminar o poema lendo que “estar vivo exige um esforço bem maior do que simplesmente respirar”, dei-me conta de que a responsabilidade pela minha infelicidade era única e exclusivamente minha.

Era hora de mudar.

Meu sabático começou assim, há seis meses, graças ao despertar proporcionado por Martha Medeiros, a quem queria deixar registrada minha profunda gratidão.

Hoje sinto que estou mais no palco que na platéia da minha vida e este espaço foi criado para que possa compartilhar os erros e acertos e tudo aquilo que, dia após dia, faz com que meus olhos brilhem mais uma vez.



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