Em meados do ano passado chegou às
minhas mãos um poema de autoria de Martha Medeiros chamado “A Morte Devagar”,
que começa dizendo: “morre lentamente quem não troca de ideias, não troca de
discurso, evita as próprias contradições.”; “quem vira escravo do hábito”; “quem
não vira a mesa quando está infeliz no trabalho, quem não arrisca o certo pelo
incerto atrás de um sonho, quem não se permite, uma vez na vida, fugir dos
conselhos sensatos”.
À época, eu trabalhava há treze anos no
mesmo escritório de advocacia, minha segunda casa. Apesar da carreira estável, segundo
alguns até bem sucedida, e da companhia diária daqueles que, ao longo do tempo,
tornaram-se meus mestres e amigos, eu estava profundamente infeliz.
Em vez de autora, era mera espectadora
da minha vida. Minha alma estava vazia, eu não conseguia realizar o sonho de
ser mãe, não tinha disposição para fazer absolutamente nada e as horas do
meu dia custavam demais a passar. Quando não estava trabalhando, de uma forma
ou de outra, estava sentindo pena de mim mesma, estava reclamando, estava me
fazendo e fazendo aqueles à minha volta miseráveis.
Percebi, então, que, nas palavras de
Martha Medeiros, eu morria lentamente, secava por dentro, era escrava dos meus
hábitos e dos conselhos sensatos, perdera o brilho dos olhos e sufocara meus
sonhos.
E, ao terminar o poema lendo que “estar
vivo exige um esforço bem maior do que simplesmente respirar”, dei-me conta de que
a responsabilidade pela minha infelicidade era única e exclusivamente minha.
Era hora de mudar.
Meu sabático começou assim, há seis
meses, graças ao despertar proporcionado por Martha Medeiros, a quem queria
deixar registrada minha profunda gratidão.
Hoje sinto que estou mais no palco que
na platéia da minha vida e este espaço foi criado para que possa compartilhar os
erros e acertos e tudo aquilo que, dia após dia, faz com que meus olhos brilhem
mais uma vez.
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